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M.Pacheco

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HISTÓRIAS DO NOSSO BAIRRO

Terça-feira, Março 15, 2011

Domingo, Julho 25, 2004

HISTÓRIAS DE ÁGUA SANTA
As histórias de todos os bairros podem ser contadas através de pesquisas em documentos antigos e, ou, pelo testemunho que ficou de pais para filhos e destes para os netos.
Cada cidadão com mais de cinqüenta anos, por exemplo, deve ter na memória as histórias que ouviu de seus pais, avós, parentes e vizinhos mais antigos. Essas histórias podem nos levar a fatos ocorridos no decorrer de todo o século XXIX, o que já seria um documentário bastante esclarecedor, tendo em vista que faltam depoimentos e documentos sobre os nossos bairros.
Sobre Água Santa, minha memória vai até os anos quarenta, da minha infância, mas ainda lembro algumas histórias contadas pelos mais antigos.
É baseado nessa memória que vou fazer este relato, na esperança de que outros façam o mesmo sobre os bairros onde viveram e nos transmitam através do e-mail mpacheco@onossobairro.com.br para que possamos compor o documentário HISTÓRIAS DO NOSSO BAIRRO que estou elaborando..
O relato a seguir, foi tirado (e ampliado) da edição número dois do jornal O NOSSO BAIRRO, publicada em setembro de 1994.
A PARTEIRA MARICOTA
João Benevides e Maria da Glória casaram em Portugal - Trás-os-Montes - no final do século XXIX, e vieram para o Brasil. Ela, uma jovem de 15 anos, trouxe sua mãe (Antônia). Ele, com trinta anos, veio para trabalhar na Estrada de Ferro Dom Pedro II, no Engenho de Dentro.
Trouxeram algum dinheiro, que aplicaram na compra dos imóveis localizados à rua Paraná, 1008 e 1030.
O casal Benevides teve seis filhos: Antero, Durval, Manoel (Manduca), Henrique, Amélia e Maria a mais nova (minha mãe).
Do velho João, só sei que morreu deixando os filhos ainda pequenos. Mas das "vovós" "Maricota" e Antônia, guardo muitas lembranças.
Naquele tempo, havia poucos médicos no Serviço Público, nos bairros do Rio de Janeiro. Eram as "parteiras" e rezadeiras que faziam os partos e cuidavam das doenças mais comuns da comunidade. Algumas dessas pessoas eram orientadas pelos serviços de Saúde, e faziam cursos, nos Postos de Saúde, para aperfeiçoar o que já conheciam através das informações que receberam dos mais antigos.
Foi assim que "Dona Maricota" e nossa casa se transformaram num verdadeiro "Posto de Saúde de Água Santa", do início do século XX até 1944, quando ela faleceu. Durante todos esses anosa parteira Maricota freqüentou quase todas as residências de Água Santa, subindo os morros "Dos Pretos Forros" e "Inácio Dias" para acompanhar o período de gestação das mulheres e assistir ao parto, "aparando" nenéns. Quando o local era de difícil acesso, como o alto dos morros, ela permanecia nas casas das parturientes nos últimos dias de gestação, aguardando a hora do parto. E nada cobrava.
Como quase todos os moradores dos morros da região eram chacareiros, que vendiam seus produtos na feira do Engenho de Dentro, era comum, aos domingos, passarem na nossa casa para deixar um "agrado" em forma de verduras, frutas, legumes e, até pedaços de porcos quando abatiam para o próprio uso, banha, lingüiça, galinhas e ovos.
Ainda sob orientação do Serviço Público de Saúde, a parteira "Maricota" (hoje seria uma para-médica) aprendeu a utilizar muitos remédios caseiros, feitos com ervas medicinais, preparando xaropes e garrafadas. E mesmo no final de sua vida ela não deixou de atender aos "clientes". Um mês antes de sua morte, "aparou" o bisneto Adail, filho da neta Flausina. Isto em agosto de 1944.
Dona Maricota não era apenas uma parteira de carteirinha, como se dizia na época sobre as parteiras autorizadas pelo Serviço de Saúde Pública. Ela curava muitas outras doenças com remédios caseiros à base de ervas medicinais e uma famosa garrafada que levava ingredientes fortes e que era capaz de "levantar doentes desenganados", tudo sob a orientação de "vovó Antônia", minha bisavó, que era rezadeira e responsável por curas miraculosas de "espinhela caída", "quebranto", "cobreiro", "ventre-virado" e muitas doenças que hoje são conhecidas por outros nomes. As rezas e os conhecimentos sobre ervas e remédios caseiros que se usava para as curas eram passados de mães para filhas, chegando aos dias atuais, com algumas perdas lamentáveis. Eu gostava de acompanhá-la nas visitas e observava com atenção, quando ela rezava para afastar alguma doença.
Lembro-me de uma cena que se repetia todos dias pela manhã: minha primeira urina era recolhida pela vovó Antônia, que a passava no rosto. Quando nos deixou, ela tinha a pele marcada pelos anos, evidentemente, mas de uma beleza inesquecível. Faço este relato porque, recentemente (março de 2003), recebi um release de uma indústria de cosméticos, informando que a "uréia" é, hoje, um dos componentes dos produtos usados para proteger a pele, oferecendo ótimos resultados. Como se vê, uma mulher que nasceu no século XXIX - no interior de Portugal - já conhecia o poder da uréia na proteção da pele.
Nota do editor: É possível que alguém diga que estou fazendo este relato por ser a "heroína', minha avó. Mas não é este o motivo. Posso garantir que minimizei os feitos de dona "Maricota" para não parecer exagero. O motivo verdadeiro é que a região do Grande Méier é onde está localizada a maior "colônia" de portugueses e seus descendentes, oriundos de Trás-os-Montes. E como os patrícios só vinham para o Brasil quando chamados por outros, com emprego garantido, pode ser que muitos deles tenham vindo a pedido de meu avô que, por sua vez, veio sob contrato da Estrada de Ferro Dom Pedro II, que se expandia e precisava de técnicos. Isto, apesar de fazer parte da minha história, não deixa de ser parte da História de Água Santa.
UM MAPA NA MEMÓRIA
Na minha infância (nasci em 1938), Água Santa era uma grande área agrícola, com diversos portugueses cultivando hortas e pequenos pomares de frutas que vendiam para os vizinhos ou levavam aos domingos para a feira do Engenho de Dentro, a maior de toda a região. Além das chácaras, havia muitas residências habitadas por funcionários da Estrada de Ferro e do "Hospital dos Malucos" (CPPII).
Os bairros do Rio de Janeiro já experimentavam o progresso trazido pela estrada de ferro, os bondes elétricos e os lotações, que deram origem aos ônibus. Em Água Santa dos anos quarenta, circulavam lotações do tipo "cristaleira" (carros do início do século) fazendo o percurso Engenho de Dentro-Água Santa e Lotações para a Praça Mauá. Havia também linhas do Méier para Cascadura, passando pelo bairro.
Para mim, Água Santa começava no final da rua Pompílio de Albuquerque, exatamente na "favela da Congonha", onde residiam os remanescentes dos "pretos forros" que habitaram todo o morro que ali começava e que recebeu este nome por ser habitado por negros que ganhavam ou compravam sua alforria. Ali bem perto, na confluência das ruas Borja Reis, Monteiro da Luz e Pompílio de Albuquerque, havia um comércio chamado de "Três Vendas", pelo fato de ser constituído de três estabelecimentos comerciais.
Na favela da Congonha, começava a rua Violeta que, no "Largo do Abaixa" fazia confluência com a rua Monteiro da Luz.
Nos anos quarenta e cinqüenta, o "largo" tinha um comércio intenso, formado por uma padaria, um armazém, uma carvoaria, um botequim e uma barbearia. Tudo no imóvel localizado à direita de quem descia a rua Monteiro da Luz na direção do Méier. Do outro lado do "Largo do Abaixa", na rua Monteiro da Luz, ficava a chácara do "seu Queiroz" que ia dali até onde está localizado o posto de gasolina. "Seu Queiroz" era mais um português trasmontino, como todos os outros. Ao lado dessa chácara, seguindo pela rua Violeta, ficava a "fazenda do doutor" como era conhecido o proprietário de uma verdadeira mansão, localizada na área hoje ocupada pelas duas primeiras vilas. Estas e as outras vilas até à rua Paraná, onde está a Igreja de Santo Antônio, pertencia ao "doutor" Vicente, que trazia gado do interior para vender aos frigoríficos e o deixava naquela pastagem para recuperar o peso perdido na viagem.
No local onde a ditadura construiu o presídio Ary Franco (que estava projetado para ser uma delegacia de polícia), ficava a chácara do "seu Freitas" outro português muito conhecido.
O campo de futebol que hoje é usado pelos presos do Presídio de Água Santa era o local onde nós (os meninos da época) jogávamos bola, em campeonatos organizados pelo Antenor da Rocha, marido da Flausina, que morava na rua Paraná, 1130, uma casa antiga que a Light canadense sempre respeitou, mas a Light francesa se apossou sem nada pagar aos antigos moradores que já moravam no local quando a rede de eletricidade foi colocada. Mas isto é outra história que ainda vamos aprofundar.
Antenor da Rocha (o Nô) era um "calceteiro" - funcionário do município que colocava paralelepípedos nas ruas, antes de se implantar o asfalto. Uma profissão que já não existe.
BALÕES GIGANTESCOS
Naquele mesmo campinho, o "seu Joaquim do armazém" irmão do policial municipal João Ferreira soltava gigantescos balões, já proibidos na época, mas que eram soltos sempre em um domingo de festa, precedido de muita expectativa, e que contava com a presença de viaturas policiais e muitas autoridades onde não faltavam os políticos. Nesses dias, milhares de pessoas aguardavam a hora do balão subir.
Os balões do "seu Joaquim do armazém" eram feitos com mais de mil folhas de papel usado para embrulhar banha no armazém, que ficava na rua Paraná 1202 - cruzamento com a Rua Brasil, hoje rua da Pátria.
Os gomos do balão eram decorados com desenhos diversos e reforçados com cordões em toda a sua extensão, para não estourar com o vento e a força do calor das buchas.
A boca tinha diâmetro de mais de um metro, e era feita em chapas de ferro, que eram colocadas com a bucha, amarradas com arame em um aro colado no papel. Isto era feito na hora em que os balões eram soltos.
Hoje em dia os balões podem até ser maiores, mas naquele tempo era tudo muito mais difícil. Por exemplo: não existia o botijão de gás que hoje facilita o levantamento do balão. Por esse motivo, os balões eram levantados por uma corda fina, que passava por uma roldana, na ponta de um vergalhão amarrado em um bambu gigante. Depois de içar o balão, uma bucha era colocada em baixo para ajudar a encher. E quando o balão estava cheio, o bambu e o vergalhão eram mantidos apenas como guia, enquanto se colocava a boca com a bucha. Como o calor existente dentro do balão era suficiente para levantá-lo, mesmo sem fogo, imagina-se a força que os homens faziam para mantê-lo no chão, enquanto terminavam os preparativos.
O último balão do "seu Joaquim do armazém" que tenho notícia subiu com um para-queda levando um boneco de papelão, vestido com o uniforme do Conceição Futebol Clube (principal clube local, da época) e caiu na praia de Icaraí. Levava uma cédula de "quinhentos mil réis" e um bilhete com o telefone do armazém, onde "seu Joaquim" pedia para quem o pegasse, entrar em contato com ele.
FESTAS JUNINAS
O bairro de Água Santa era festeiro por excelência e uma das festas mais movimentadas era a de São João que meu pai, Aldi Pacheco dos Santos organizava. Vinha muita gente de longe para ver os balões que, apesar de menores do que o do ¿seu Joaquim¿ eram também gigantescos e muito mais decorativos. Seu Aldi ficava quase o ano inteiro pintando com pincel, cada gomo dos balões, onde se viam flores e escudos dos diversos clubes, com seus respectivos símbolos (charges). E eram muitos balões, pois além dos que meu pai fazia, diversos convidados levavam seus balões para soltar durante a festa.
À noite começava um verdadeiro show com um regional composto por músicos famosos da época que tocavam violão, cavaquinho e bandolim, nas rádios (não sito nomes para não ser injusto pela omissão dos que não lembro) e um programa de calouros onde pontificaram duas cantoras que, mais tarde, ficaram famosas: Alayde Costa (a Chuvisca) e Elza Soares, ambas moradoras do bairro.
A casa da rua Paraná, 1030, recebia muita gente, e a festa não tinha hora para acabar. A decoração, com bandeirinhas, galhos de bambu, palmeiras e lanternas iluminadas, ficava por conta das crianças.
Como não podia deixar de ser, tinha fogueira que queimava a noite inteira e toda aquela comida típica. Isto sem falar nos fogos.
ORIGEM DO NOME
Há quem dê outra explicação para a origem do nome de Água Santa. Mas a que considero mais adequada e verdadeira é a que me foi contada por antigos moradores.
A estrada da Covanca, que se pode ver em mapas antigos com a advertência de que era trafegável (não sei como), começava no final da rua Monteiro da Luz, junto à Água Mineral Santa Cruz, e subia o morro até ao "Barracão dos Presos", onde começava a descida para Jacarepaguá. Essa estrada era utilizada pelos tropeiros que vinham daquela região, onde ficavam as grandes fazendas e chácaras.
Um desses tropeiros, desenganado pelos médicos por uma doença incurável no estômago, muito religioso, sempre parava para descansar no alto do morro, e rezava pedindo que sua doença fosse curada. Certo dia tomou da água de uma fonte e sentiu um grande alívio. Depois disso, passou a levar consigo um garrafão que enchia com a água daquela fonte e levava para casa.
Diz a lenda que ele ficou curado e acreditou ser um milagre da "água santa". Esta fonte ainda existia nos anos sessenta, quando fui ao local para fotografar e contar a história, numa das primeiras edições do jornal O NOSSO BAIRRO impresso.
O BARRACÃO DOS PRESOS
Contam os antigos moradores que, no alto do morro, onde começa a "mata do governo", havia uma prisão. E que os presos que ali ficavam, foram usados para abrir as vias de acesso à Água Santa, como a Estrada da Covanca e as ruas Monteiro da Luz e Rua Brasil (hoje rua da Pátria).
O trecho da rua Monteiro da Luz, que vai da rua Paraná até o "Largo do Abaixa" era uma ladeira acentuada (daí o nome abaixa) cujo barranco foi cortado com as picaretas dos presos.
UM CELEIRO DE CRAQUES
Água Santa teve grandes clubes de futebol e pode-se dizer que sempre foi um celeiro de craques. Os mais antigos falavam de times como o Tavares e o Violeta, que trouxeram grandes glórias para a região. A sede do Tavares ficava na rua Tavares (hoje rua Pompílio de Albuquerque), e o campo de futebol na rua Dois de Fevereiro, esquina com Borja Reis. Já o campo de futebol do Violeta ficava na rua Violeta, onde hoje está o Conjunto Residencial, próximo à Praça do Pedágio da Linha Amarela.
No meu tempo, a rivalidade era entre o Palestra F. C. e o Conceição F. C.
O Palestra ocupava o campo de futebol do extinto Violeta. Quando o Palestra desapareceu, o campo foi mantido pelos moradores que criaram outros times, que, por sua vez, mantiveram a tradição de celeiro de craques. Alguns dos times que se destacaram nesse campo foram: Bons Amigos, Tamoio, Esperança e outros, que, no momento não lembro. Se alguém lembrar, pode me dizer que eu corrijo a falha.
Mas o Conceição F.C. foi o que mais se destacou, talvez por ter melhor infra-estrutura e organização. A origem de seu nome se deve ao fato de sua fundação ter ocorrido no dia oito de dezembro, dia de N. S. da Conceição.
Durante muitos anos ele funcionou numa sede modesta localizada na Travessa Soares Pereira, enquanto o campo de futebol ficava na rua Fontoura Chaves em parte de um terreno da Light e parte cedida por um morador.
A sede que hoje (abril de 2003) parece abandonada, ainda pertence ao clube, que, há muito, não tem atividade social. Mas nos anos 50 recebia uma freqüência diária muito intensa, com jogos de salão como sinuca, tênis de mesa e outros. Era, também, o ponto de encontro dos jovens da região. Nos fins de semana havia seções de cinema e bailes sociais.
No aniversário do clube, havia muita festa, que começava com a tradicional alvorada, com queima de fogos às seis horas da manhã e muita diversão o dia inteiro, onde não faltava corrida de bicicletas, a pé, corrida de saco, pau de sebo, e muitas outras distrações para a criançada. À tarde sempre um jogo de futebol, com um adversário de renome, e à noite o baile social.
Ainda hoje, o campo de futebol do Conceição, continua funcionando e formando craques para os grandes clubes. Agora, mais do que nunca, pois cada vez mais se reduzem os campos de futebol onde os jovens podem aperfeiçoar suas habilidades com a bola.
VÁRZEA TAMBÉM FAZ PARTE DA HISTÓRIA
Muito antes de se transformar em um dos melhores clubes sociais do subúrbio, o Várzea Country Clube foi a chácara do Dr. Assis Carneiro que, muito ciumento, construiu uma capela só para sua linda mulher não precisar ir à igreja.
Foi, ainda, uma casa de repouso. E nos anos quarenta, a Companhia Paulista de Artes Gráficas, fabricante dos famosos baralhos COPAG, adquiriu a área para construir um cassino, mas não chegou a terminar a obra devido à proibição do jogo.
Nos anos que se seguiram, foi uma granja onde eram criadas muitas aves e seu proprietário a utilizava para o lazer de fim de semana. Até que, nos anos cinqüenta, a Companhia Várzea do Carmo adquiriu as duas glebas que compõem o imóvel e lançou à venda os títulos de sócio proprietário do Várzea Country Club. Um grande sucesso e venda.
Por muitos anos, o Várzea se manteve em evidência, até que a televisão passou a reter as pessoas em casa e a convivência social, nos clubes, se reduziu.
Hoje (abril de 2003) o movimento do Várzea é maior no período de verão devido à qualidade das águas de suas piscinas, que recebem água daquela fonte que deu origem ao nome do bairro. A famosa "água santa", cuja nascente continua brotando no alto do morro.
ÁGUA MINERAL JÁ FOI ÁREA DE LAZER
Nos anos quarenta e cinqüenta, o Parque da Água Mineral Santa Cruz só perdia para a Quinta da Boa Vista em tamanho. Famílias de toda a região passavam o domingo em seus jardins e bosques, usufruindo um agradável convívio com a natureza, onde não faltavam cachoeiras e recantos próprios para o pic-nic.
Todos levavam garrafas e garrafões que enchiam na volta do passeio levando para casa a água famosa por suas propriedades medicinais.
Lamentavelmente, o parque fechou suas portas devido à falta de segurança e o abuso de freqüentadores que quebravam plantas e deixavam o local cheio de lixo.
O proprietário da Água Mineral, Dr. Alberto, me disse certa vez - quando reclamei pelo fechamento da área - que se a prefeitura se encarregasse de manter a limpeza do local e a polícia garantisse a segurança, ele nada teria contra o passeio das famílias, nos fins de semana.
Na história da Água Mineral Santa Cruz, consta que Arthur Sendas começou sua carreira de empresário vendendo a água mineral em um caminhão, que logo se transformou em uma frota.

Opine!



LINHA AMARELA É OUTRA HISTÓRIA
O jornal O NOSSO BAIRRO foi um dos maiores críticos das obras da Linha Amarela, não pelo que ela representa como ligação entre as zonas oeste e norte, mas pela forma como foi feita. Brigamos muito com os prefeitos César Maia e Luiz Paulo Conde pela falta de sensibilidade no tratamento dos moradores que estavam sendo prejudicados com a obra. Uma das maiores brigas foi para que César Maia indenizasse os inquilinos que residiam nas casas desapropriadas. Ele pagava - muito bem - aos proprietários, mas não queria dar, nada aos inquilinos que eram obrigados a deixar suas casas, onde moravam a dezenas de anos e procurar outro lugar. Tentei convencer o prefeito de que eles teriam despesas com mudança e ainda teriam que arranjar escola para os filhos menores, em pleno ano letivo. Mas o prefeito estava irredutível.
Resolvi, então, reunir os inquilinos e orientá-los para não deixarem o imóvel sem uma ordem judicial. E entreguei, pessoalmente, uma carta a cada um dos juízes das varas de Fazenda, lembrando que a legislação que regulava a desapropriação, só permitia a imissão de posse, nos casos em que o proprietário residia no imóvel. E pedia que não fosse dada a imissão da posse ao prefeito, sem que ele provasse que não havia inquilino residindo no imóvel desapropriado.
Quando viu que a obra iria paralisar, fui chamado pelo secretário de Habitação, que me pediu para oferecer uma ¿ajuda¿ de R$ 2.000,00 (dois mil reais) para que os moradores pudessem arcar com as despesas de mudança.
Foi o maior presente, naquele Natal. Todos os que participaram do movimento iniciado por nós, receberam a "indenização". Pena que alguns deixaram o imóvel, sem reagir, porque não acreditavam na "indenização".
Foram muitas a lutas que o jornal O NOSSO BAIRRO liderou. Mais tarde vou relatar todas.
No momento, estou reunindo todos os fatos abordados pelo jornal impresso para compor completar capítulo.
Aguardem!
Por hoje, é só. Mas logo que tenha novas informações, ou minha memória traga de volta outras recordações, voltarei ao assunto.
M. Pacheco

RUA POMPÍLIO DE ALBUQUERQUE
Recebemos uma carta de Ilhéus - Bahia - que publicamos a seguir:
Pacheco:
Remontei-me aos anos 1931 até 1937, período em que residi na Rua Pompílio de Albuquerque, 213.
A primeira vez em que cortei meu cabelo foi exatamente na barbearia das Três Vendas em 1934, estando eu com quatro anos de idade. Quase meu vizinho existia o Germano, que bancava o jogo do bicho e durante o carnaval fazia desfilar pelas ruas do nosso bairro e adjacências os famosos "Bonecos do Germano".*
Germano também era baloeiro e seus balões eram famosos.
Numa tarde de verão o Zepelim passou exatamente sobre a nossa rua, no sentido leste-oeste, acreditando eu ter isso ocorrido em 1936, mais ou menos. Lembro-me do comentário de que o Zepelim estava indo para Santa Cruz aonde seria amarrado...
Quase em frente da nossa casa moravam dois irmãos que tocavam cavaquinho excelentemente bem. Comentavam que um deles tocava em rádios. Seria o Waldir de Azevedo?
Soube recentemente de que os peixinhos barrigudinhos foram introduzidos nos rios da cidade, por Oswaldo Cruz com a finalidade de comer as larvas dos mosquitos Aedes Aegypte. O rio Farias passava nos fundos da nossa casa e eu gostava de pegar os barrigudinhos e colocá-los numa garrafa.
Quando tomei conhecimento de que a Linha Amarela iria passar exatamente em cima da casa onde vivi desde um até meus sete anos de idade peguei um avião e fui até lá matar minhas saudades. Ainda restavam as paredes e a placa 213. Consegui uma escada, arranquei a placa e enchi uma sacola com alguns tijolos, algumas pedras do alicerce e entrei no táxi voltando para o aeroporto Internacional. O motorista desse táxi não entendeu nada. Comentou achar esquisito sair eu de Ilhéus, na Bahia, pegar um avião, saltar no Rio, pegar um táxi, ir até uma casa em ruínas, encher uma sacola com besteiras, voltar para o aeroporto e retornar à Bahia.
Meu pai ao se casar comprou essa casa, onde moramos ate 1937. Com a venda dessa casa ele comprou uma na Rua Ana Leonídia a qual possuímos até hoje, já em ruínas.
Pacheco, você, pela Internet, levou-me até as Três Vendas.
Antes que eu esqueça: o jogo de malha foi trazido de Portugal, e aqueles portugueses residentes no nosso bairro mantiveram a tradição jogando malha na rua.
Naquela época era difícil vermos um carro passar na rua.
Abraços, Anúsio.
* O Bloco do Germano era famoso por seus bonecos gigantescos - cerca de três metros de altura. Até hoje, alguns jovens do bairro do Encantado, desfilam com bonecos iguais àqueles, mantendo a tradição.

Respondi ao e-mail do Anúsio, pedindo que ele contasse outras "histórias do nosso bairro" e ele mandou o seguinte depoimento:
Pacheco,
Respondendo a sua pergunta, não tenho lembrança de ter ouvido referência a lobisomem. Aqui em Ilhéus certa vez correu esse boato.
O que escutava dizerem é que o nome "ENCANTADO" se devia a que, ao anoitecer, uma moça toda vestida de branco (como se fosse uma noiva) vez por outra aparecia bem no início da Dois de Fevereiro (lado par) e se encaminhava para atravessar o Rio Faria, utilizando uma pinguela feita por duas longarinas de ferro em forma de I, justa-postas. Após atravessar essa pinguela de uns 6 metros de comprimento ela de-sa-pa-re-cia.
Sobre essa pinguela passei muitas e muitas vezes, porém nunca familiares meus a viram. Minha avó dizia que isso era invenção.
1) A rua Daniel Carneiro termina na margem direita do Rio Faria. Na esquina da Daniel Carneiro com a rua Gustavo Ríedel existiu um terreno bem grande, baldio, sem muro e que os circos utilizavam-no para armar as lonas. Quando corria notícia de que um circo estava para chegar, já sabíamos de antemão que ele seria armado lá.
2) Minha avó materna morava na rua Dois de Fevereiro, 64. A casa dela (era alugada) ficava quase que em frente ao término da rua Ana Leonídia. O quintal era enorme e fazia fundos com os fundos duma casa da rua Pompílio de Albuquerque que também tinha um senhor quintal.
Sobre os fundos desses quintais passa hoje a Linha Amarela e na frente (onde era a casa) existe um edifício que calculo ter uns 12 andares. Se esse edifício não tivesse sido feito antes da L. Amarela, acredito que o acesso á mesma se daria no prolongamento da Ana Leonídia.
3) Nossa casa (agora é da minha irmã) fica no número 16 da rua Ana Leonídia. Essa rua, como você sabe, inicia-se junto ao reservatório de águas da CEDAE do Engenho de Dentro.
4) Na esquina da Ana Leonídia (lado ímpar) com a Dois de Fevereiro (lado ímpar, lógico), existia uma padaria. A primeira vez em minha vida que falei ao telefone foi nessa padaria, pois não tínhamos telefone em casa. Minha mãe foi telefonar (era de graça e o comerciante fazia questão de ser gentil com seus fregueses) para uma amiga dela que morava no Engenho Novo. O telefone ficava preso na parede. Para falar, você tinha que se aproximar do bocal, que ficava preso naquela caixa aparafusada na parede. Para ouvir, você tirava do gancho o fone que era ligado a essa caixa por um fio de quase um metro de comprimento. Minha mãe suspendeu-me no colo (eu estava com uns cinco anos de idade) e mandou que eu falasse.
Eu não sabia o que falar. Falar com quem? Minha mãe mandou que eu falasse "eu sou o Anúsio". Falei. Pra que? Com aquele fone no meu ouvido tomei um susto quando ouvi a resposta. Imediatamente tirei o fone do ouvido e fiquei olhando curioso para ver quem estava escondido ali dentro falando. Depois minha mãe explicou que a voz vinha pelo fio e é lógico... Não acreditei. Ela não queria era que eu visse quem estava escondido dentro do fone.
Para mim essa é que era a verdade.
5) Pertinho dessa padaria tinha uma casa apelidada de "A casa das três palmeiras". A história é a seguinte: Na rua Ana Leonídia (lado ímpar) faltando umas quatro casas para o fim da rua, existia um terreno muito grande. Um cidadão comprou-o, construiu uma casa, casou-se e foi morar nela. Quando a primeira filha nasceu ele plantou uma palmeira imperial. Tempos depois nasceu outra menina e ele então plantou a segunda palmeira. Novamente nasceu uma menina (só teve essas três filhas) e a terceira palmeira foi plantada. Cheguei a conhecer essas três palmeiras. Anos depois uma delas começou a definhar e a "dona" também. Morre a palmeira e também a "dona", de tuberculose. Passa-se o tempo e a segunda palmeira também começou a definhar. Morre a palmeira e a dona também. Não fiquei sabendo da causa mortis. Lá pelos anos de 1943 mais ou menos, aconteceu uma tempestade daquelas de verão, com raios, trovões e tudo a que se tem direito. Era um dia de sábado. Eu estava de férias do ginásio. Lá pelas 13 horas um raio caiu na pontinha da palmeira e... Destruiu. A moça, "dona" da palmeira já estava adulta e trabalhava na cidade. Como tinha sido instituída a semana inglesa, só se trabalhava até ao meio dia. Ás 13 horas ela estava num trem vindo da cidade para o Encantado. Em Lauro Muller o trem virou e ela morreu esmagada. O trem já era elétrico e isso aconteceu ás 13 horas. Os pais mudaram-se, e até a alguns anos atrás só restavam ruínas.
6) No dia em que inauguraram os trens elétricos, a passagem era de graça. Nossa família foi estrear a novidade de trens sem fumaça. À tarde fomos do Encantado até a Central do Brasil. De lá pegamos outro trem (elétrico, lógico) e voltamos para o Encantado. Era gente que não acabava mais, porém não o suficiente para ficar superlotado. Gente em pé eu me lembro que teve (fomos sentados), devido a passageiros que foram pegando o trem no caminho.
7) Já que estamos falando da Dois de Fevereiro, relato que na esquina com a Gustavo Riedel existia um armazém (agora estamos nos anos 50 a 60) de secos e molhados.
Era do meu cunhado JOAQUIM SALGUEIRO DA SILVA, hoje falecido. Depois de sofrer nove assaltos resolveu vendê-lo. Comprou então um armazém na rua Paraná quase esquina com a Bernardino. Estava chegando o fim do ano. Ele resolveu fazer uma importação muito grande de gêneros portugueses, para o Natal. Já era 1963. Faltando pouquíssimos meses para o fim do ano, ele verificou que o seguro do armazém e do depósito (que era ao lado) expirava numa sexta-feira. Ele comentou isso com minha irmã. Ela achava que ele deveria dar uma paradinha de um dia, ir ao Contador e renovar o seguro. Ele disse que faria isso logo na segunda-feira. No sábado á noite uma oficina de carros começou a pegar fogo. Parede com parede a essa oficina um médico havia equipado toda a casa (tudo novinho), pois ele estaria se casando no mês seguinte. As chamas destruíram essa casa. O armazém era colado a essa casa. Pegou fogo. Devo dizer que logo no início do incêndio na oficina, telefonaram para ele. Saindo da Ana Leonídia, 16 e chegar de carro até a rua Paraná, nesse pouco tempo o fogo já estava começando a queimar o armazém. Conseguiram colocar na rua bastante mercadorias. Quando o Corpo de Bombeiros chegou não havia água no hidrante. Quando o carro pipa chegou só encontrou as cinzas e meu cunhado sentado no meio-fio chorando desolado. O seguro havia expirado um dia antes. O prejuízo foi total. Duplicatas dos importadores para vencer, atreladas ao dólar. Já pensou?
8) Joaquim instalou-se a seguir no mercado S. Sebastião onde a duras penas conseguiu se recuperar.
9) Lembrei-me de outro incêndio. Eu estava com uns cinco ou seis anos de idade quando na Pompílio de Albuquerque (diga-se de passagem, que todos a conheciam como rua Tavares e não como Pompílio de Albuquerque) uma casa de madeira localizada no lado par, quase esquina com a rua Joaquim Martins, logo ao anoitecer começou a pegar fogo. Quando os bombeiros chegaram só restavam as cinzas.
10) Na rua Ramiro Magalhães (lado ímpar) quase chegando na rua Pompílio de Albuquerque, (lado ímpar) existia uma casa residencial transformada em escola. Quando eu passava pela rua escutava os alunos gritando B-A BA, B-E BE, B-I BI, B-O BO, B-U BU. Ás vezes escutava 1+1 2, 2+1 3 e por aí vai. Eu achava aquilo muito esquisito porque meus pais me alfabetizaram através da cartilha de TOMAZ GALHARDO (professor português) e mesmo com cinco anos eu achava lógica para aprender. Quando tive filhos alfabetizei-os com a mesma cartilha e eles aprenderam rapidinho. Creio que a Linha Amarela atualmente passa por cima dessa casa.
11) Na mesma rua Ramiro Magalhães (lado par) bem em frente ao "Hospital dos malucos" lá pelas 11 horas da manhã, uma mulher discutiu com o marido e desferiu uma tesourada no coração dele, matando-o ali mesmo. Eu deveria estar com uns seis ou sete anos de idade, calculo. Juntou gente. Só fiquei olhando bem de longe.
12) Rua Violeta: Um dos primeiros moradores dessa rua foi o ALTAIR. Ele morava na época, na rua Gustavo Riedel e trabalhava na oficina de rádio do seu Waldemar, localizada na rua Adolfo Bergamini (lado Ímpar), quase esquina com a rua Pernambuco. Tinha a oficina do seu Waldemar, um açougue, uma casa de móveis e a esquina. Altair comprou um terreno na rua Violeta e construiu uma casa, indo residir lá. Nunca fui á casa dele tomar um cafezinho para o qual ele me convidava. Era a tal coisa: é para amanhã é para depois e a gente acaba não indo nunca.
13) Cine Engenho de Dentro - pertencia a um português que morava na Urca. Numa quarta-feira de cinzas á tarde, fui assistir um filme de mocinho, se não me falha a memória. Durante a exibição, um cartaz (daqueles enormes) que ficava pendurado na parede a uns cinco ou 6 metros de altura, desprendeu-se e caiu no chão causando um barulho enorme. Um dos expectadores gritou: "tá pegando fogo!" O tumulto foi geral. Todo mundo se levantou e saiu correndo. Eu, inclusive. Quando chegamos na rua ficamos na expectativa do que realmente havia acontecido. O dono do cinema disse que a causa do barulho deveu-se á queda do cartaz. Quando ele percebeu que o que tinha de gente na rua, ultrapassava o número de expectadores que havia saído, ele resolve fechar o cinema. Aí foi aquele auê. Já que não tinha jeito de voltar pra assistir o restante do filme, a maioria (que morava na Chave de Ouro) resolveu fazer um bloco. Foram cantando na maior farra. Como nunca gostei de confusões, resolvi ir para casa. No ano seguinte o dono do cinema resolveu não abri-lo. O pessoal foi chegando, chegando e nada do cinema abrir. Começou o tumulto. O dono chamou a polícia e foi aquele corre-corre.
Nascia ali o Bloco da Chave de Ouro. Todo ano na quarta-feira de cinzas era aquilo: Bloco de um lado, corre-corre e polícia atrás. Muitos anos depois um delegado de polícia usando de psicologia resolveu dar segurança ao bloco acompanhando-o na abertura do desfile. Aí a coisa perdeu a graça e o bloco acabou-se.
14) Eu deveria estar com uns quatro anos de idade quando minha mãe teve uma menina que morreu logo após o nascimento. Lembro-me do caixãozinho cor-de-rosa sendo levado pelo meu pai em um carro funerário. É possível que sua avó Maricota tenha dado assistência, porque naquela época parteira era conhecida de todos no bairro. O parto ocorreu ao amanhecer.*
Conheci uma senhora (foi inquilina nossa na década de 40, na Ana Leonídia) chamada Maricota que apresentava seqüela de derrame cerebral e ficava muito tempo sentada numa cadeira de rodas. Acredito que ela não tenha sido parteira.*
15) Na nossa casa da Pompílio de Albuquerque tinha roseiras e dálias no jardim. No quintal tínhamos uma parreira, um pé de cabeludinha, um de cajá (aqui na Bahia chamam de cajarana porque cajá aqui é outra fruta), um de coco de catarro, um de sapoti, um de carambola, dois de abio amarelo, um de abio roxo (eu escutava também falarem em curupaiteia), um de manga espada, algumas bananeiras, um de amora e, do outro lado do rio Faria, um bambuzal. O rio durante as enchentes de verão (já que ele atravessava o nosso quintal já no finalzinho), trazia água até pertinho da casa.
16) Tenho um sítio aqui em Ilhéus. Todas as frutas referidas acima as plantei mais ou menos na ordem e posição em que minha lembrança as tem de como ficavam em posição, distância, etc, etc. Só não tenho o pé de coco de catarro. Há uns seis anos atrás uma das minhas primas veio passar veraneio em Ilhéus. Trouxe-me cinco mudas de "coco de catarro", compradas em um sítio em Campo Grande. Ano passado floresceu. Achei meio esquisito. Decepção: não era o coco de catarro. Era baba de boi. Em janeiro de 2005 ela deverá vir a Ilhéus e prometeu-me trazer mudas verdadeiras. O sítio de Campo Grande enganou-a. Ela viu o fruto coco de catarro em Teresópolis. Deverá ir lá procurar algum viveirista que garantidamente venda mudas do que quero.
17) Escrevi bastante e relembrei coisas do arco da velha. Se puxar pela mente talvez apareça mais alguma coisa, porém isso fica para depois.
18) Minha mãe morava na Dois de Fevereiro com os irmãos e minha avó materna. Ela estava estudando enfermagem ali na Escola de Enfermagem ALFREDO PINTO, com ênfase para atendimento a pacientes psiquiátricos. Ela aniversariava no dia 16 de fevereiro. A formatura estava marcada para o dia 16. Meu pai (estava noivo dela) resolveu então casar no dia 16. Foi uma festa só: aniversário, formatura, e casamento. Recebeu o diploma das mãos do Prefeito da Cidade porque foi a 1a aluna da turma.Quanto ao exercício da profissão, meu pai proibiu-a de exercê-la porque não admitia que ela ficasse furando nádegas de gente doida. Em dezembro de 1929 nasci. A lua de mel foi passada em Salvador. Em lá chegando, a primeira coisa que aconteceu é que foram assaltados. Naquela época... Imagine!
18) Aceite o meu abraço e meus parabéns pelo seu magnífico trabalho de levantar a história do nosso bairro. Fatos recentes que relatei serão do passado daqui a alguns anos e relatados por quem os viveu, presenciou ou ouviu falar. Esses mais recentes (40 anos atrás), serão subsídios para a seqüência da história do nosso bairro.
Um forte abraço do amigo,
Anúsio - 20.07.2004
(*) MP - Posso garantir que não se trata da mesma pessoa.

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Domingo, Julho 04, 2004

UM POUCO DA HISTÓRIA DO MÉIER
No 16 de Junho, o Méier completour 101 anos de fundação
Nesta data, em 1903, o Méier era reconhecido oficialmente, através do decreto 434
13 de Maio de 1899, foi a data de inauguração da estação ferroviária

ESTES SÃO OS DESTAQUES:
- Em março de 1858, foi inaugurada a Estrada de ferro Dom Pedro II, trazendo progresso e cortando toda a região do Méier pelas terras doadas pela família Duque estrada Meyer. O aterro da área alagada, provavelmente foi feito com o material do desmonte do trecho que faz a ligação com o Engenho Novo.
- A comitiva imperial que fez a primeira viagem da Estação Central (Praça da República) até Maxambomba (Nova Iguaçu) saiu às 11,50h, retornando às 4,40h "com a composição (a vapor) desenvolvendo velocidade moderada em virtude da grande manifestação do povo de todas as localidades, que em correrias e saudações, invadiam as linhas férreas" informa o historiador Agostinho Seixas do DPHA.
- Em 13 d maio de 1889, trinta e um anos depois da inauguração da EFDPII, era inaugurada a estação do Méier. Até então o local era conhecido como ¿Cancela do perna de pau¿ devido ao defeito físico do responsável pela abertura da cancela que ligava os dois lados da via férrea, onde hoje estão as ruas Medina e Coração de Maria.
- Em 1892, os comerciantes proprietários da empresa Teixeira, Borges & Barbosa, donos de terrenos próximos à estação, abriram diversas ruas que foram reconhecidas pela municipalidade, algumas delas homenageando membros da família Barbosa, como Constança Barbosa, Ana Barbosa, etc.;
- Em 1895, uma linha de bondes da Companhia de carris de Vila Isabel, ligava o bairro à estação de São Francisco Xavier, trazendo mais desenvolvimento;
- O Distrito do Méier, foi oficialmente reconhecido, por ocasião do decreto nº 434, de 16 de junho de 1903, que criou o 2º Distrito da região. O Primeiro era o de Engenho Novo. Devido a este fato, há que reclame esta data como a verdadeira data de fundação do Méier, que estaria completando, este ano, o seu PRIMEIRO CENTENÁRIO.
- De 13 de maio de 1889 até 16 de junho de 1903, o Méier era apenas mais uma parada de trens;
- Toda a grande área de terras em que hoje ficou construído o bairro do Méier, bem como muitos outros, pertenceu aos herdeiros e sucessores da família Duque estrada Meyer, originando-se deles o nome que foi adotado para o local. Em 1822 diversos herdeiros dos Meyers eram proprietários de terras desmembradas da gleba original.
- A estação de todos os santos foi inaugurada em 24/12/1868, dez anos depois da inauguração da estrada de ferro e 21 anos antes da construção da estação do Méier, o que dá uma idéia de que Todos os Santos era mais importante, naquela época.
- A estação de Riachuelo foi inaugurada em 1º de fevereiro de 1869; a estação do Rocha em 1º de dezembro de 1885 e a estação de Sampaio em 12 de julho de 1885.
- As ruas São Francisco Xavier e 24 de Maio são remanescentes de uma estada construída pelos Jesuítas, que ligava o Morro de Pedregulho - São Cristóvão - até a fazenda do Engenho Novo, passando pelo Engenho Velho. Do Engenho Novo a estrada seguia pela região onde estão os bairros de Méier e Água Santa e seguindo até Jacarepaguá, pela Estrada da Covanca, onde hoje está a Água Mineral Santa Cruz.
- Em 1828, várias chácaras faziam parte da região e o Jornal do Commercio anunciava que: "Luiz Faroux oferece à venda grandes chácaras com árvores frutíferas como macieiras, pereiras, pessegueiros, bananeiras, cafezal, água em abundância, matas virgens, curral, além de casas, oficina, senzalas para escravos e terreiro".
- A partir de 1858, após a inauguração da EFDPII, o progresso chegou ao "sertão" do Rio de Janeiro, que passou a se chamar subúrbio.Diversas ruas e avenidas foram abertas e as companhias de carris (Vila Isabel, São Cristóvão e outras) que faziam o transporte em bondes puxados por animais, passaram a estender suas linhas para os novos logradouros. Uma delas - Cachambi - fazia um percurso circular ligando aquele logradouro à estação do Méier.
- A iluminação no subúrbio, era feita em 1860, pelo sistema de azeite de peixe, mas usava-se o sebo na falta do azeite. Em toda a região existiam, na época, 251 lampiões, que só permaneciam acesos durante 18 dias no mês.
- A partir de 1876 a iluminação por azeite foi substituída pelo sistema de "gaz-globs".
- O progresso se acentuou com a chegada da energia elétrica. A partir de 1925, já eram muitos os logradouros públicos que contavam com eletricidade.
- Os bondes por tração animal foram dando lugar aos de tração elétrica quando a Light adquiriu todo o material rodante das antigas companhias de carris.
- O Decreto nº 5.494 de 10 de dezembro de 1873, estabeleceu os limites da Freguesia do Engenho Novo;
- Em 1891, Pedro Antônio Fagundes pedia privilégio para introduzir melhoramentos em toda a região até Cascadura, sendo previsto em seu plano a construção de ruas, avenidas, escolas, mercados, linhas de carris e vilas residenciais para venda dos imóveis em prestações. Em troca do empreendimento ele pedia isenção por 30 anos de impostos prediais, pagamento de foro e outros benefícios pessoais, inclusive desapropriação de áreas de terras localizadas em toda a região.

Outros dados serão acrescidos na medida em que forem chegando ao nosso conhecimento. Se o leitor tem alguma informação a fornecer, pode fazer por e-mail ou para a Caixa Postal 31013 - CEP 20732-970
Você e seus avós também fazem parte da HISTÓRIA DO NOSSO BAIRRO. Entreviste-os e conte para nós as histórias que ele contou.
Estamos levantando informações e documentos de todos os bairros da cidade. Ajude-nos a ampliar essa obra.

Opine!




JUIZ LADRÃO
Em julho de 1994

Por que temos que baixar a cabeça diante de um juiz ladrão, que rouba, escandalosamente, o nosso time?

Por que continuar aceitando, pacificamente, as regras do jogo, quando sabemos que quem as fez, foi o adversário?

Precisamos criar novas regras, que sirvam a todos. Mas, antes, temos que expulsar de campo, o juiz ladrão.